Vídeo-aula 8: Contradições de valores na escola: entrelaçados da história com a história da educação e da educação especial - katia amorim


Apresentar práticas e discursos construídos histórico-socialmente relacionados à Educação Especial e Inclusiva, frutos de diferentes movimentos sociais. Dialogar noções de justiça da participação de pessoas com necessidades especiais na escola com algumas das tradicionais noções da função da escola.


O processo de inclusão não é recente e não é uma imposição mas sim uma reivindicação de uma população imensa.
O primeiro modelo escolar brasileiro era composto por tutores para algumas pessoas.
Em seguida, temos escolas que passam a atender conjuntos de alunos, mas ainda homogêneos em sua composição.
As escolas especiais que surgem nesse processo são específicas para cada tipo de pessoa com deficiência (RJ, 1854 – Instituto Benjamin Constant para Cegos e 1857 – Instituto Nacional de surdos-mudos).
Após um século, órgãos não governamentais criam instituições especializadas no sentido de proporcionar instâncias e possibilidades para que pessoas com necessidades especiais pudessem participar do campo da educação.
1819 – 1824 – (Europa) elaboração da escrita Braille.
No caso das pessoas surdas – (Europa) debate intenso: oralismo x bilinguismo.
1961 – (Brasil) leis que buscam garantir os direitos dos excepcionais.
1973 – (Brasil) Criação, pelo Estado, do Centro Nacional de Educação Especial.
No decorrer desse processo: Movimentos internacionais/ nacionais – discussão sobre o direito de todos a educação: formulação de legislações, portarias, resoluções etc.
Situação atual: Instrumentalização de famílias, pessoas com NE e profissionais.

Relação dessa educação especial que estava emergindo com a educação que também estava em seu processo de constituição:
1824 – Educação Regular: instituição primária, inicialmente, era gratuita.
1889 – Não gratuidade do ensino: educação para poucos, na escola, limitada a uma camada da população, não obrigatória.
Contexto: sociedade agrária, iletrada, área urbana pequena, desenvolvimento industrial praticamente inexistente, pouquíssimas escolas.

1847 – primeira escola para professores no Brasil.

Quem vai para escola passa por um critério de nível.
Começa uma fase de eugenia: a busca das melhores pessoas, pessoas com melhores formações.
Até então, as pessoas com deficiência, de alguma forma, estavam inseridas no contexto social, no cotidiano do grupo social.

Mas, dentro do processo de crescimento da psicologia e por uma influência do momento ideológico e político da época, a avaliação da inteligência passa a considerar quantitativamente, distinguindo níveis de inteligência: a escola passa a pensar na avaliação de conhecimento, identifica uma série de anormalidades, seleciona os alunos que são considerados anormais, faz classes para os anormais (dizendo inclusive quais são anormais completos e quais são anormais incompletos, cabendo a esses últimos o direito de frequentar a escola, enquanto que os primeiros teriam a “isenção” de matrícula), configurando assim uma educação diferenciada, emendativa, apenas para trazer alguns elementos para essa população.
1920 - A educação é de fato para poucos: 41 de 1000 crianças frequentavam ensino primário.
Década de 40: ainda são poucos os que frequentam a escola; 50% da população era analfabeta (muitas poucas escolas e maioria absoluta com baixa qualidade – poucos completavam).
Gradualmente, começa um investimento na educação: associa-se formação do ser humano com a produção (trabalho) e crescimento do país.
Nesse contexto, a educação passa a ser discutida (reforma educacional, conferências nacionais... e na própria Constituição Federal de 34 a educação passa a ser gratuita e obrigatória para a população).
Paralelo a isso, as pessoas com NE reivindicam um lugar junto a educação: vai se constituindo todo um conjunto de instrumentalizações e instituições que pudessem atender e dar alguma substância para a educação dessa população. Esse percurso ainda segue como um ensino emendativo: diferenciado e para dar apenas alguns elementos para as pessoas com NE.
Pós-guerra: passa-se a discutir a questão dos Direitos Humanos.
Vários grupos de pessoas com NE passam a se organizar: passa a existir formação para professores.
Nas próximas décadas, ainda dentro da discussão dos Direitos Humanos, toma força a discussão sobre o direito da criança e é pensada dentro de um contexto sócio—ideológico em que a educação é valorizada para se garantir a ordem, o progresso e o desenvolvimento.
Isso implica que se passa a ter obrigatoriedade de ensino e passa-se a pensar nos direitos dos excepcionais: um tratamento específico para cada uma das pessoas com NEE (pesquisa, material de ensino, currículos, diagnósticos, planejamento, formação, treinamento e aperfeiçoamento). Mas nada disso está vinculado ao Ministério da Educação.
1988 – Constituição Federal: vários artigos que tratam da deficiência tanto referente ao ensino, trabalho, lazer etc. de pessoas com NE.
1991 – Centro Nacional de Educação Especial passa a ser mais ligado ao campo da educação. Finalmente passa a haver um entrelaçamento entre Educação e Educação Especial.
1994 - Declaração de Salamanca (Espanha): reunião para poder discutir estruturas de ações que levassem a uma equalização de oportunidades para pessoas com deficiência. Reforça o direito a educação para todos. A pedagogia passa a ser centrada na pessoa.
A declaração de Salamanca não propõe uma reforma técnica, mas uma busca de compromisso e disposição pela mudança de paradigma na educação, no exercício dos direitos humanos.
Brasil – uma série de resoluções, diretrizes, construções de políticas para pessoas com NE.

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