Vídeo-aula 15: Como anda a educação especial no país? - Kátia Amorim

Deverão ser apresentados dados da educação especial e inclusiva no Brasil, segundo o MEC. Ainda, segundo algumas pesquisas, mostrando os avanços e limites do processo em diferentes cidades brasileiras.





Quanto à inclusão no Brasil, segundo o MEC, o número de matrículas de 1998 a 2006 cresceu muito: passou de 337.326 a 700.624 pessoas com NE que estão matriculadas no ensino regular e essa matrícula tem se alterado com o tempo, pois as pessoas tem procurado mais as escolas regulares e não as escolas especiais.
Os dados são otimistas, mas é necessário observá-los contextualizadamente.
Em 2006, existem 700.624 pessoas com NE matriculadas no ensino regular, no entanto, o dado oficial é que existem, no país, 14,5% pessoas com NE, sendo 2% desses crianças e jovens, o que totalizaria 2.850.604, o que significa que estamos muito aquém de atender as necessidades dessas crianças já que a maioria delas estão fora das escolas. Onde elas estão? O que estão fazendo? Como estão participando do meio social?



Há também a necessidade de se refletir sobre como tem sido o processo de aumento de matrículas de pessoas com NE no ensino regular.
As informações a respeito das crianças com NE que frequentam a escola, no ensino regular, não estão registradas de forma regular, dependendo da memória dos profissionais. Há uma limitação, então, para traçar-se um diagnóstico.
Como traçar diagnósticos de situação, sendo irregulares as apresentações dessas informações? Como traçar políticas, programar formação continuada e obter recursos, sem informações ou com informações lacunares? Quais são as necessidades da criança, do professor, da escola?
Muitas crianças nem diagnóstico possuem ou possuem um diagnóstico que não auxilia a escola a saber como atuar junto à criança (Diagnóstico e registro diverso ou sem diferenciação entre os graus de deficiência).
É necessário que o diagnóstico instrumentalize o professor e dê suporte à criança (recursos e modos de ação).
Muitas vezes o diagnóstico é dado pelo próprio corpo docente, o que, obviamente, incorre em erros.
Na maioria das vezes, o diagnóstico é de deficiência intelectual. As outras deficiências são variáveis nas diferentes redes de ensino e essa variação se deve a existência ou não de suporte.
A questão do diagnóstico é central, sendo essencial saber para que o diagnóstico é dado para não correr o risco de estigmatizar a criança.
Há uma dominância de meninos na situação de inclusão: será que as meninas estão sofrendo mais uma exclusão? Ou o mito do menino impossível foi remodelado para menino deficiente?
O tempo de permanência é quase desastroso. Na escola pública a maioria absoluta da criança fica de uma a quatro anos no ensino regular: as crianças não estão permanecendo na escola e sim nas escolas especiais, salas de recurso e classes especiais.
A inclusão não se está se efetivando na permanência.
E, quando há permanência, é descontínua (permanecem em uma mesma série várias vezes). Há uma lacuna no processo de ensino-aprendizagem. Uma minoria alcança o Ensino Médio.
Uma saída seria uma atuação diferenciada das escolas especializadas.

São questões essenciais para traçar diagnósticos da situação e delinear políticas;
Onde está a maioria das crianças e jovens com deficiências e transtornos?
Para que são feitos os registros? Por quem? Para quem? Como? Como são guardados? Quanto são disponibilizados?
Quem dá o diagnóstico? Para que são usados?
Qual é a possibilidade que a escola está dando a essas crianças e jovens de uma vivência de cidadania e dignidade?
Como garantir a permanência na escola e a certificação com qualidade na educação desses alunos?

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