Vídeo-aula 28: O professor não pode estar só. O espaço interdisciplinar e com a comunidade - Jaqueline Amorim


Diagnóstico da situação, a intervenção e a parceria com a família, comunidade e profissionais da saúde.

A Constituição Federal traz como princípio a igualdade de condições para acesso e permanência na escola como direito de todos, mas, na prática, não vemos isso em relação as crianças com NEE.
A inclusão na sala de aula encontra um professor sozinho com uma sala superlotada o que gera a frustração.
A persistência das dificuldades/(in)capacidades do aluno questiona as expectativas do professor sobre o potencial do aluno e as expectativas do professor sobre sua própria capacidade de “fazer aprender” gerando frustração. É preciso que o professor saiba lidar com esse sentimento, direcionando-o para uma reavaliação e busca de compartilhamento.
Aluno e professor são responsabilizados e culpabilizados. O aluno acaba sendo excluído e o professor sente-se desvalorizado e desestimulado.
A equipe escolar tem o papel de garantir uma escola organizada e inclusiva.
A equipe interdisciplinar garante (ou deveria garantir...) a possibilidade de discussão com profissionais de diversas áreas.
Múltiplos profissionais garantem um atendimento multidisciplinar, mas pode incorrer em repetições e lacunas. O idela seria um atendimento interdisciplinar.
Em um campo multidisciplinar, o diagnóstico surge como um documento com um nome de uma patologia que rende uma busca isolada do professor por um significado que pode cair em um destaque nas dificuldades.
Em um enfoque interdisciplinar, também trata-se de uma documento com o nome de uma patologia, mas traz a possibilidade de discussão com os diversos profissionais, norteando e estimulando as potencialidades do indivíduo.



O professor tem um importante papel em não se deixar estar só.

A vídeo-aula deveria ser substituída por um texto que deveríamos ler, afinal, não é fácil acompanhar uma vídeo-aula baseada em leitura e tal formato não é didático e contradiz a ideia de video-AULA. Até mesmo um áudio-texto seria mais produtivo pois com certeza teria uma melhor produção garantindo nossa compreensão do conteúdo.

Vídeo-aula 27 : O professor não pode estar só: parcerias dentro da escola - Claudia Yazlle


Diagnóstico da situação e a parceria com a escola como um todo, incluindo-se aí as demais crianças da classe e escola, os familiares, a coordenação e direção, além dos demais funcionários.




A complexidade de todos os protagonistas envolvidos no processo de inclusão: a criança, o professor, os pais, os profissionais de saúde (matriz sócio-histórica). Há ainda outros protagonistas como as outras crianças da turma, os outros profissionais da escola, as demais famílias, outros profissionais da saúde. Trata-se de uma processo complexo e amplo.



A inclusão de uma criança com NEE na escola envolve diversos sujeitos e diversas preocupações, expectativas, dúvidas, perguntas, como podemos ver a seguir:
Famílias de criança com NEE buscam aceitação e acolhimento do filho: vínculos e relações sociais; autonomia e independência e busca de aprendizagem. Há uma necessidade de aceitação e acolhimento.
Demais famílias: receio de imitação e agressividade; perda em aprendizagem mas também valorização da inclusão como princípio ético e solidário.
No ponto de vista dos professores: preocupação com estar preparado e preparar-se, garantir a aprendizagem, lidar com as diferenças e disciplinas e regras.
Crianças com NEE: ouvir e escutar a criança; reconhecer capacidades e habilidades e identificar necessidades escolares.
Diagnosticar quais são as necessidades escolares e educativas e quais recursos pedagógicos e escolares serão usados para estabelecer um vínculo e desenvolver um trabalho coma criança.
Demais crianças: curiosidade, interesse e respeito pela diferença; “regras do grupo” - negociação e reflexão.
Escola: atuação da coordenação/ direção; espaços permanentes de reflexão, planejamento e avaliação; sustentar dúvidas e perguntas; estabelecer parcerias com outros profissionais.
Profissionais da saúde: dificuldade e deficiência (visão normalizadora); visão clínica e individual; desconhecimento do ambiente escolar; importante parceiro no processo de inclusão.

________________________________________________________________

A vídeo-aula elenca sujeitos e pontos de vista, mas não aprofunda a discussão, não apresenta soluções além das já vivenciadas no ambiente escolar.

Vídeo-aula 24: Modelos de ensino: das concepções docentes às práticas pedagógicas - Claudia Yazlle

Resgatar norteadores da formação docente, além de modelos de ensino. Evidenciar os conflitos que tais modelos implicam na educação de pessoas com as necessidades especiais, tanto pela necessidade de implementação e auxílio de novas lógicas e tecnologias (deficiências físicas e sensoriais) como de repensar metas centrais da escola (deficiências intelectais).



Os desafios que a inclusão tem trazido no contexto de mudança, de transformação da pedagogia, das funções da escola, dos novos modelos de ensino e de práticas que a escola deve desenvolver.
Mudanças na legislação/ relações culturais e sociais/ demandas de mercado/ novas funções sociais e concepções de escola: (transformação na)formação e identidade profissional dos docentes: diversidade e aprendizagem (processo complexo que envolve inúmeros atores). A inclusão é mais um desses desafios.
Se antes tínhamos um modelo de trabalho escolar do professor mais centrado no ensino e a função disciplinadora tinha grande importância, hoje, com essas transformações, temos outros valores em pauta: o professor tem o desafio de pensar a aprendizagem do aluno e não só o ensino.
Outro grande desafio é a integração curricular das diferentes áreas do conhecimento e do próprio trabalho do professor.
O Coordenador faz a articulação dos diferentes profissionais.
A inclusão surge nesse contexto.
A escola tem o desafio de atender a diversidade.
Ampliação (e esvaziamento) de atribuições da escola.
A inclusão traz a necessidade de fazer um trabalho articulado com diferentes profissionais para dar conta do desafio. O trabalho em equipe é fundamental.
Em que contexto se dá esse processo?
Grandes protagonistas: a criança com NEE, seus familiares, os professores, os profissionais de saúde.
Outros sujeitos: crianças da turma e da escola, outros pais, professores da equipe, demais funcionários da escola, direção, coordenação etc.
A inclusão não se restringe à criança, seu professor e seus pais. É mais ampla.
Quais são os desafios? Diferentes expectativas.
Os pais têm dúvidas, buscam pela aceitação e acolhimento do filho, querem o estabelecimento de vínculos e relações sociais, autonomia e independência, busca de aprendizagem.
Demais famílias: receio de imitação e agressividade, perda em aprendizagem, valorização da inclusão como princípio ético.
Professores: dúvida quanto ao seu preparo, disciplina e regras, como garantir a aprendizagem? Como lidar com as diferenças?
Crianças com NEE: ouvir e escutar, reconhecer capacidades e habilidades, identificar necessidades, paradoxo da pluralidade. (a vídeo-aula não apresenta o olhar da criança com NEE, mas o olhar do professor a respeito dela)

Demais crianças: curiosidade e interesse pela diferença, negociação e reflexão a respeito das regras do grupo, respeito pelas diferenças.
A escola como um todo: espaços (permanentes) para a reflexão, planejamento e avaliação do processo, espaços coletivos, importante papel da coordenação e direção, sustentar dúvidas e perguntas, estabelecer parcerias com outros profissionais.
Profissionais da saúde: ênfase na dificuldade e deficiência (visão normalizadora), visão clínica e individual, pouco conhecimento do ambiente e dos desafios escolares, importante parceiro no processo de inclusão.

Vídeo-aula 23: A educação de pessoas com necessidades especiais é de fato ineficaz? - Kátia Amorim

Desenvolvimento de pessoas com necessidades especiais – a questão da plasticidade neurológica em sua intrínseca relação com o papel do meio.



A complexidade do desenvolvimento e a educação de pessoas com NE: como a educação vem sendo discutida?
A educação, historicamente vem sendo baseada em alguns paradigmas bastante específicos e que pressupõe que o desenvolvimento das pessoas se dá de maneira igual. O professor espera que todos entendam da mesma maneira, simultaneamente, e completem o conhecimento em tempos próximos. Espera-se que haja uma regularidade e uma linearidade dos processos de aprendizagem. E o aluno que não acompanha é visto como aquele que é diferente, comprometido, deficitário, deficiente. A questão da deficiência, dentro desse modelo, que espera uma regularidade, implica em um ferimento, em uma ruptura com princípios básicos da educação e que levam ao um processo de ensino e aprendizagem comprometido, uma relação enter professor e aluno dificultada e inclusive impedindo o aprendizado e a relação do aluno dentro da sala de aula.
E como se espera uma regularidade e uma linearidade no desenvolvimento e uma regularidade e uma linearidade na aprendizagem, a imagem da criança desaparece e fica a imagem negativa de uma criança que não tem alguma coisa, a impressão é de que não adianta investimento.
Mas, se pensarmos nessa noção de regularidade, linearidade e a expectativa de que todos façam igual e ao mesmo tempo, percebemos que ela fere na verdade noções de desenvolvimento e aprendizagem que consideram a complexidade. Essa complexidade tem que ser considerada para poder ser trabalhada com os alunos de forma produtiva.
A sensação da dificuldade é minimizada em algumas situações, por exemplo, como é amenizado, em alguma medida, em deficiências sensoriais pelo uso de recursos tecnológicos e profissionais (braille, para crianças e jovens cegos; amplificadores visuais para crianças e jovens com baixa visão; a LIBRAS para alunos surdos; os aprelhos auditivos para aqueles que não chegam a ser surdos; cadeiras, computadores que ajudam a criança com deficiência física). Ou seja, para as deficiências sensoriais, estar em sala de aula, tendo recursos alternativos, a possibilidade de aprendizado é mais provável.
Mas e aqueles que têm deficiência intelectual? O professor vai se perguntar se é possível ensinar alguma coisa, se acriança ganha alguma coisa além da socialização.
A socialização foi reconhecida como um dos grandes méritos do processod e inclusão, mas existem coisas além que podem ser aprendidas?
É possível dizer “sim” ou “não” sem uma tentativa?
É preciso investir no desenvolvimento da criança.
É preciso deixar certos paradigmas e investir em um ensino recuperando a complexidade humana e a complexidade dos processos desenvolvimentais humanos.



A plasticidade cerebral: uma propriedade que sistema nervoso tem que permite o desenvolvimento de alterações estruturais e funcionais: capacidade adaptativa. O potencial para recuperação funcional depende de inúmeros fatores: idade do indivíduo, local e tempo da lesão, natureza da lesão.
É necessário conhecer a criança: quais as áreas afetadas? Como potencializá-las? Quais habilidades?
É preciso reconhecer que as crianças possuem dificuldades e facilidades diferentes.
Saber o diagnóstico não é atribuir um diagnóstico que dê o lado negativo ou para justificar a negação da aprendizagem, mas sim saber quais são as características e decidir como trabalhar de forma a respeitar a criança e possibilitar que a plasticidade dê conta dessas questões.
Por que o comportamento equivale ao comportamento de crianças mais novas, não deve ser valorizado? Não vale investir nessa criança? Se não vale a pena, qual critério está sendo usado? A criança em si não é considerada? O investimento é fundamental.
O papel do professor, em parceria com a família, é de mediação. É necessário identificar dificuldade, habilidade e potencialidades. Ninguém pode prever limitações de desenvolvimento por antecipação. É necessário investir para conhecer o limite. Não se trata de negar dificuldades, mas reconhecer as alterações do quadro.
Colocam-se assim, questões centrais para o professor relacionadas à qualidade, duração e modo de trabalho.

Vídeo-aula 20: A complexidade no estudo dos processos desenvolvimentais humanos - Kátia Amorim

Desenvolvimento segundo a perspectiva histórico-cultural, particularmente a partir das noções da rede de significações, em que se considera o papel fundante do outro, do contexto e da cultura, na interrelação biológico-cultural



Muitas vezes a forma como concebemos o desenvolvimento pode restringir nossa prática.

O desenvolvimento dentro de um processo mais complexo: como as pessoas vêm concebendo o desenvolvimento humano. O modo mais geral é pensar o desenvolvimento da criança olhando para ela mesma, sem considerar o contexto, como se relógios biológicos fizessem com que a criança fosse se transformando tornando-se inclusive capaz de aprender. Essa noção tem se transformado e cada vez mais têm-se discutido o desenvolvimento na relação com o outro e a pessoa que tem sido mais investigada na relação com a criança é a mãe. Essa questão tem sido superada pela proposta de se considerar a família como um sistema de relações e como a criança se transforma nesse sistema. Mas outras perspectivas têm trazido a ideia de que o desenvolvimento é tanto biológico como cultura, englobando a vizinhança, a escola e a relação do professor com o aluno e das outras crianças com o aluno. Há uma dinamicidade no processo de desenvolvimento: o momento atual de pensar desenvolvimento não é de processos lineares, mas de processos complexos.
Para se considerar o desenvolvimento de uma criança é preciso entendê-la em um conjunto mais amplo que vai além dela própria e que nos inclui.
É preciso romper com uma lógica que diz quando se apresenta determinado comportamento para passar a focalizar como é que se dão processos através dos quais o desenvolvimento ocorre. É preciso pensar o desenvolvimento interligando o biológico, com o psicológico, com o social e com o cultural.
É necessário que a criança tenha um mediador que traga elementos da cultura para a criança desenvolver. O mediador são os pais mas não só eles, também amigos, vizinhos, a pessoas da escola...



O desenvolvimento ocorre ao longo de todo o ciclo vital nas e por meio das interações estabelecidas entre as pessoas em contextos social e culturalmente organizados.
Quais são as pessoas que cuidam da criança? Como cuidam?
Como é a relação da criança com os professores? Como se dá a relação da família com os professores?
Como a escola está inserida? Como está organizada? Qual o contexto cultural?
A cultura está na prática, no cotidiano e nas práticas de cuidados e educação.
As práticas delimitam e ampliam possibilidades.
Quando olhamos para a criança, estamos abrindo ou fechando portas?
__________________________________________________________________
A vídeo-aula propõe a desconstrução de uma forma de olhar a criança (“a criança é assim pois a mãe é daquele jeito...”) para em seguida propor um olhar muito similar que propõe que se olhe todo o contexto de criação da criança. Na verdade, o professor já tem esse olhar, mas erra no julgamento por falta de informações a respeito da criança. A falta de uma rede interdisciplinar que acolha e entenda a criança (assistência social e psicológica) não pode resultar em maiores encargos para os professores. Se a escola precisa ter novos olhares (social, psicológico etc.) também precisa ter novos profissionais que sejam realmente formados e que tenham realmente essa função na escola, compondo com o professor uma rede.

Vídeo-aula 19: O todo pela parte


A questão ética, os valores e os preconceitos: relação professor - aluno e o estigma. Buscando quebrar certezas!



Características individuais que possuímos que podem ser exaltadas ou não, a depender da circunstância, a depender da situação. Cada um de nós possuímos características de que nós mesmo gostamos ou não e nós também podemos admirar em outras pessoas algumas características e não gostar de outras;
Podemos aprender com outras pessoas;
Há alguns atributos que são mais valorizados em detrimento de outros;

“Estigma: situação do indivíduo que está inabilitado para aceitação social plena.” GOFFMAN
Essa questão do estigma, segundo o que foi dito acima, depende também do outro: uma pessoa pode ter um atributo depreciativo, não desejado pela sociedade, mas ele só vai se tornar um estigmatizado se não for totalmente aceito pelo outro.

“Um indivíduo que poderia ter sido facilmente recebido na relação social, possui um traço que pode impor à atenção e afastar aqueles que ele encontra, destruindo a possibilidade de atenção para outros atributos seus.” GOFFMAN
Ou seja, o estigma tem o poder de fazer com que a pessoa não enxergue outros atributos em alguém além do estigma.

“O que é preciso é uma linguagem de relações e não de atributos.” GOFFMAN
Ou seja, é preciso tirar o foco da pessoa com deficiência e passar esse foco para a relação com a pessoa com deficiência.

“Um atributo que estigmatiza alguém pode confirmar a normalidade de outrem , ele não é em si mesmo, nem honroso nem desonroso.” GOFFMAN

“Diferenciar estigmatizado desacreditado de desacreditável.” GOFFMAN
Desacreditado – é aquele que tem uma características distintiva evidente.
Desacreditável – o estigma não é imediatamente perceptível. Há um tempo para que seja estabelecida uma relação e é possível enxergar a pessoa além da deficiência.
Articulação com a vida escolar: a relação professor-aluno pode-se dar de uma maneira diferente nesses dois casos. O ideal que que, em ambos os casos, consigamos ver além da deficiência.

“Tendemos a inferir uma série de imperfeições a partir da imperfeição original.” GOFFMAN
Pode-se, ainda, generalizar a deficiência. Só porque a criança tem uma deficiência, supor que ela tem outras limitações.
Ou pegar o todo pela parte. Como se todas as imperfeições da criança fossem fruto de sua deficiência.



No encontro com o dito “normal”, a pessoa estigmatizada, com deficiência, pode se sentir “em exibição”: os menores atos podem se tornar sinais de atos notáveis ou ainda erros menores ou enganos incidentais serem interpretados como uma expressão direta de seu atributo diferencial estigmatizado (como foi dito acima).

O que se percebe é que quanto maiores as desvantagens da criança, mais provável que ela seja enviada a uma escola especial, afinal, acredita-se que ela ficará mais protegida junto a “seus iguais”.
Na verdade, essas experiências com os ditos “normais” aumentam o seu repertório de situações vividas com os ditos normais: ajuda na resolução de problemas e enfrentamento de situações constrangedoras.
O mundo dela não é só de pessoas com deficiência, mas também de pessoas sem deficiências.

Todas essas concepções e essa forma de agir com a criança justifica-se historicamente. Essas crianças, em algumas sociedades, chegaram inclusive a serem mortas. Apenas há alguns anos essa proposta da inclusão ganhou força.
Modelo da saúde ainda é forte – foca na deficiência: problema existente exclusivamente na pessoa com deficiência. Visa a normalização do deficiente. Não se expande a questão para a relação, para o social.
A terminologia, a maneira como nos referimos a essas pessoas, influencia as práticas (principalmente dentro de uma escola).
Ambiente escolar, mais sério, somos modelo para as crianças.

O principal na questão do estigma é trazê-lo para o campo relacional e, quando encontrarmos uma criança com deficiência, quebrar as nossas certezas e enxergar a criança além de sua deficiência.

Vídeo-aula 16: Trajetórias escolares de deficientes e a EJA: a questão do fracasso escolar - Lúcia Tinós


Apresentação de pesquisa que evidencia e discute as múltiplas e conturbadas trajetórias de pessoas com necessidades especiais, que culminam com a busca pela Educação de Jovens e Adultos.




A vídeo-aula apresenta resultados de pesquisa que estudou se existiam alunos com deficiência na EJA de uma determinada rede, quem eram e de onde vieram.
A coleta de dados foi difícil: propõe uma reflexão a respeito da organização e registro de dados dos municípios e diretorias e sistemas de ensino para identificar os alunos e poder planejar uma ação efetiva para eles.
A legislação que determina a educação de jovens e adultos: LDBEN/9394/96, Artigo 37, constitui a EJA como modalidade de ensino utilizada na rede pública no Brasil, para propiciar a educação de jovens e adultos.
Parecer CEB nº. 11/2000: orientações sobre a organização e a função dessa modalidade de ensino.
Ainda assim a educação de jovens é adultos, historicamente, costuma ser posta em segundo plano.

Quem é o aluno da EJA? sujeitos compostos pela e na diversidade; pelas camadas socialmente mais empobrecidas e marginalizadas: negros, idosos, trabalhadores. Populações rurais, alunos com NEE etc. Dentro da diversidade: aumento de alunos com deficiência.

SEGUNDO A PESQUISA APRESENTADA:
Enquanto o número total de matrículas em EJA diminuía, aumentava o número de matrículas de alunos com deficiência (2004-2007).
Alunos com deficiência mental/ Déficit intelectual: representavam 43% das matrículas.
Alunos com deficiência auditiva: representavam 18% das matrículas.

Há uma grande dificuldade de se definir as deficiências. Grande variedade de nomenclatura. Quem dá o diagnóstico? Para que ter diagnóstico? A quem interessa? Como ajuda?

Os caminhos que levam o jovem e o adulto com deficiência à EJA: a grande maioria vem de escolas especiais. Uma menor parte vem de escolas públicas. Por que alunos com história de escolarização procuram pela EJA?



Um exemplo de história de escolarização de aluno com deficiência: muitas controvérsias, a escolarização não é uma prioridade, vontades não respeitadas, situações de discriminação, dificuldade de acesso (no caso de deficiência física), repetição de séries.

Uma escola tem que oferecer os atendimentos especializados? Como fica a escolarização?

Citação de uma experiência positiva: o professor que abre a possibilidade de diálogo e considera a opinião do aluno com deficiência para planejar a forma de atuação.

A escolarização e o certificado são extremamente importantes, mas nem sempre prioridade na história de escolarização do aluno com deficiência. Aceitação e pertencimento também são questões importantes.

Quais são os entendimentos sobre inclusão? Como fica o trabalho pedagógico?

A EJA é uma oportunidade ou armadilha?

O aluno de EJA tem sonhos e projetos que já apresentam uma história de exclusão escolar.

Temos que tornar visíveis pessoas que historicamente não são consideradas.


Vídeo-aula 15: Como anda a educação especial no país? - Kátia Amorim

Deverão ser apresentados dados da educação especial e inclusiva no Brasil, segundo o MEC. Ainda, segundo algumas pesquisas, mostrando os avanços e limites do processo em diferentes cidades brasileiras.





Quanto à inclusão no Brasil, segundo o MEC, o número de matrículas de 1998 a 2006 cresceu muito: passou de 337.326 a 700.624 pessoas com NE que estão matriculadas no ensino regular e essa matrícula tem se alterado com o tempo, pois as pessoas tem procurado mais as escolas regulares e não as escolas especiais.
Os dados são otimistas, mas é necessário observá-los contextualizadamente.
Em 2006, existem 700.624 pessoas com NE matriculadas no ensino regular, no entanto, o dado oficial é que existem, no país, 14,5% pessoas com NE, sendo 2% desses crianças e jovens, o que totalizaria 2.850.604, o que significa que estamos muito aquém de atender as necessidades dessas crianças já que a maioria delas estão fora das escolas. Onde elas estão? O que estão fazendo? Como estão participando do meio social?



Há também a necessidade de se refletir sobre como tem sido o processo de aumento de matrículas de pessoas com NE no ensino regular.
As informações a respeito das crianças com NE que frequentam a escola, no ensino regular, não estão registradas de forma regular, dependendo da memória dos profissionais. Há uma limitação, então, para traçar-se um diagnóstico.
Como traçar diagnósticos de situação, sendo irregulares as apresentações dessas informações? Como traçar políticas, programar formação continuada e obter recursos, sem informações ou com informações lacunares? Quais são as necessidades da criança, do professor, da escola?
Muitas crianças nem diagnóstico possuem ou possuem um diagnóstico que não auxilia a escola a saber como atuar junto à criança (Diagnóstico e registro diverso ou sem diferenciação entre os graus de deficiência).
É necessário que o diagnóstico instrumentalize o professor e dê suporte à criança (recursos e modos de ação).
Muitas vezes o diagnóstico é dado pelo próprio corpo docente, o que, obviamente, incorre em erros.
Na maioria das vezes, o diagnóstico é de deficiência intelectual. As outras deficiências são variáveis nas diferentes redes de ensino e essa variação se deve a existência ou não de suporte.
A questão do diagnóstico é central, sendo essencial saber para que o diagnóstico é dado para não correr o risco de estigmatizar a criança.
Há uma dominância de meninos na situação de inclusão: será que as meninas estão sofrendo mais uma exclusão? Ou o mito do menino impossível foi remodelado para menino deficiente?
O tempo de permanência é quase desastroso. Na escola pública a maioria absoluta da criança fica de uma a quatro anos no ensino regular: as crianças não estão permanecendo na escola e sim nas escolas especiais, salas de recurso e classes especiais.
A inclusão não se está se efetivando na permanência.
E, quando há permanência, é descontínua (permanecem em uma mesma série várias vezes). Há uma lacuna no processo de ensino-aprendizagem. Uma minoria alcança o Ensino Médio.
Uma saída seria uma atuação diferenciada das escolas especializadas.

São questões essenciais para traçar diagnósticos da situação e delinear políticas;
Onde está a maioria das crianças e jovens com deficiências e transtornos?
Para que são feitos os registros? Por quem? Para quem? Como? Como são guardados? Quanto são disponibilizados?
Quem dá o diagnóstico? Para que são usados?
Qual é a possibilidade que a escola está dando a essas crianças e jovens de uma vivência de cidadania e dignidade?
Como garantir a permanência na escola e a certificação com qualidade na educação desses alunos?

Vídeo-aula 12: Como vem sendo organizada a educação especial no país? - Ana Cláudia Lodi

Estruturação dos serviços para crianças e jovens com necessidades educacionais especiais: a escola especial, escola regular, sala de recursos, classe especial e AEE, dentre outros.




Primeira escola fundada no país: 1854, Imperial Instituto dos Meninos Cegos

                                                      1857, Imperial Instituto dos Surdos-Mudos

Ambas ainda existem e durante sua existência vieram transformando a forma de atendimento dependendo da forma como a educação especial veio sendo entendida no decorrer deste período, mas na sua origem seguiam o modelo europeu: escolas residenciais que recebiam meninos de 7 a 14 anos e tinham como base a formação profissionalizante.

Atendimento aos deficientes mentais:

  • origem de atendimento em asilos e manicômios (ligação com o ambiente hospitalar);
  • entendia-se naquele momento que essas pessoas teram maior cuidado e proteção se confinadas em ambiente separados (exclusão social);
  • educação vinculada aos serviços de higiene mental e saúde pública.

Final da década de 50: esta realidade começa a ser transformada no sentido de criação de espaços educacionais efetivos para o sujeito com necessidades educativas especiais (até o final da década de 80). Mas ainda muito marcado por uma visão médica.

LDB de 1961: um olhar mais atento sobre o local, mas ainda sob o olhar da saúde: diagnóstico seguido de encaminhamento.

Escolas Especiais: Contavam com profissionais da saúde atuando como equipe multidisciplinar junto à equipe pedagógica.

Salas de aula constituídas por poucas crianças, divididas, em geral, por faixa etária e nível de desenvolvimento.

Programas curriculares reduzidos (visão de incapacidade ou capacidade reduzida para aprendizagem)

Materiais didáticos elaborados especialmente para os alunos (mais fáceis);

Conteúdos desenvolvidos de forma detalhada, sem buscar incentivar a curiosidade e o raciocínio das crianças.

Escolas especiais para crianças surdas: toda a base da educação era pautada na necessidade de ensinar a fala (tida como base para ensinar a escrita). As crianças frequentavam dois anos por série escolar.

Classes especiais: espaços educacionais inseridos nas escolas regulares e atendiam as crianças que tinham dificuldade para acompanhar as aulas regulares, organizadas conforme as deficiências (sujeitos com diferentes idades e estágios de desenvolvimento).

Cabia ao professor responsável administrar a diversidade.

Educação física e Artes podiam ser realizadas no coletivo dos alunos.

Sala de reforço (no contra-turno): apoio nas diferentes áreas do conhecimento (professores especialistas).

Conviviam com estes espaços de educação, as Instituições especializadas- maioria mantida por associações - (origem: atendimento a crianças com déficit intelectual, mas, com o passar do tempo, passaram a receber crianças surdas e cegas). Contavam com profissionais da saúde atuando em parceria com os da educação e apresentavam uma organização similar às das classes especiais.

Apesar do trabalho pedagógico, não se constituíam como escolas e, portanto, os alunos não recebiam certificação e tinham dificuldades para serem inseridos na rede regular de ensino.



Salas regulares de ensino: princípio da integração: importância do contato das crianças com necessidades especiais com aquelas “sem deficiência” - modelos para o desenvolvimento das crianças com NEEs.

Convivendo com os serviços especializados, as crianças também poderiam ser matriculadas nas redes regulares de ensino.

Princípios para o encaminhamento: além da convivência com todos, ambiente não pensado para ela, dando´lhe condições para a inserção social futura e materiais didáticos para todos (incentivando o desenvolvimento), porém os alunos deviam esforçar-se para acompanhar as aulas (atitude de enfrentamento de suas dificuldades igualando-se aos colegas).

Princípios da inclusão (educação):

  • ação política, cultural, social e pedagógica;
  • direito de todos estarem juntos sem discriminação;
  • todos os alunos devem estudar, preferencialmente, na rede regular de ensino;
  • escolas devem se organizar para o atendimento, assegurando condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.

Para isso, deve ser garantido:

  • escolarização em todos os níveis de ensino;
  • atendimento educacional especializado no contra-turno escolar;
  • formação dos professores das salas de aula e das salas de apoio/recurso/atendimento especializado.
  • Acessibilidade arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação.

O atendimento educacional especializado deve:

  • identificar, elaborar e organizar os recursos pedagógicos considerando as necessidades dos alunos (se possível, em parceria com os professores das salas regulares);
  • complementar e/ou suplementar a formação dos alunos – autonomia e independência na escola e fora dela.

Mas não deve substituir a escolarização!



Como a educação regular e o atendimento educacional especializado tem se organizado na prática?

Salas de aula regulares entendidas como lugar de socialização.

Alunos com NEEs nem sempre têm atividades pesadas para eles.

Os professores estão pouco ou não preparados para a educação de alunos com NEEs e são responsáveis por um número grande de crianças e jovens no espaço de sala de aula.

O apoio especializado no contra-turno tem lidado com alunos com conhecimentos de mundo e faixa etária muito diversas, além da grande quantidade de conteúdos a serem abordados em um pequeno espaço de tempo.

Vídeo-aula 11: Legislações, declarações e diretrizes: Lúcia Tinós


Apresentação de uma série de referências legais, que não só colocam em pauta a questão da inclusão enquanto direito, como instrumentaliza as escolas e os professores para receber e trabalhar com alunos com deficiências.


Documentos Internacionais que trazem a garantia de direitos básicos (e a educação é um deles)
1944 – Declaração Universal de Direitos Humanos (ONU)
1990 – Conferência Mundial sobre Educação para todos (NU) (Conferência de Jomtien, Tailândia)
1994 – Declaração de Salamanca – Princípios, Políticas e Práticas em Educação Especial

Quanto a sua elaboração, é importante entender que esses documentos são frutos de contextos históricos e buscam uma sociedade mais justa (versus formas de discriminação), além de apresentarem a educação como lugar de exercício da cidadania (versus marginalização do processo educacional).

Documentos Nacionais
1988 – Constituição Federal (Art. 208, III) estabelece o direito das pessoas especiais de receberem educação.
1996 – (após encontro de Salamanca) Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Nº 9.394/96) assegura aos alunos com NEEs currículos, métodos, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades específicas.
2000 – Lei Nº 10.098 estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.
2001 – Plano Nacional de Educação que explicita a responsabilidade da União, dos Estados e Distrito Federal e Municípios na implementação de sistemas educacionais.
2001 – Decreto Nº 3.956, reconhece o texto da Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a pessoa portadora de deficiência: tal decreto traz implicações legais até mesmo quanto ao acesso a matrícula.

2002 – Lei 10. 436 reconhece a Língua Brasileira de Sinais – Libras – como meio legal de comunicação e expressão.

2007 – Política Nacional de Educação Especial, na perspectiva da educação inclusiva – ressalta a premissa da inclusão escolar (não traz a garantia legal, mas norteia todas as ações governamentais da União, do Estado e do Município em relação à Educação, trazendo a Educação Especial como apoio do sistema regular de ensino).

Todas as legislações e a Política citadas, são fruto de um contexto histórico e social e fruto de embates que geram avanços e retrocessos.

É importante que o professor conheça a legislação para que ele entenda o direito a educação, entender que sua atuação profissional está ligada a sua concepção e entendimento deste direito, para buscar apoio em diferentes instâncias, buscar tecnologias assistivas, brigar pelos seus direitos como professor de alunos com NEE (ou seja, para de brigar com estes alunos para começar a brigar por eles).







Vídeo-aula 8: Contradições de valores na escola: entrelaçados da história com a história da educação e da educação especial - katia amorim


Apresentar práticas e discursos construídos histórico-socialmente relacionados à Educação Especial e Inclusiva, frutos de diferentes movimentos sociais. Dialogar noções de justiça da participação de pessoas com necessidades especiais na escola com algumas das tradicionais noções da função da escola.


O processo de inclusão não é recente e não é uma imposição mas sim uma reivindicação de uma população imensa.
O primeiro modelo escolar brasileiro era composto por tutores para algumas pessoas.
Em seguida, temos escolas que passam a atender conjuntos de alunos, mas ainda homogêneos em sua composição.
As escolas especiais que surgem nesse processo são específicas para cada tipo de pessoa com deficiência (RJ, 1854 – Instituto Benjamin Constant para Cegos e 1857 – Instituto Nacional de surdos-mudos).
Após um século, órgãos não governamentais criam instituições especializadas no sentido de proporcionar instâncias e possibilidades para que pessoas com necessidades especiais pudessem participar do campo da educação.
1819 – 1824 – (Europa) elaboração da escrita Braille.
No caso das pessoas surdas – (Europa) debate intenso: oralismo x bilinguismo.
1961 – (Brasil) leis que buscam garantir os direitos dos excepcionais.
1973 – (Brasil) Criação, pelo Estado, do Centro Nacional de Educação Especial.
No decorrer desse processo: Movimentos internacionais/ nacionais – discussão sobre o direito de todos a educação: formulação de legislações, portarias, resoluções etc.
Situação atual: Instrumentalização de famílias, pessoas com NE e profissionais.

Relação dessa educação especial que estava emergindo com a educação que também estava em seu processo de constituição:
1824 – Educação Regular: instituição primária, inicialmente, era gratuita.
1889 – Não gratuidade do ensino: educação para poucos, na escola, limitada a uma camada da população, não obrigatória.
Contexto: sociedade agrária, iletrada, área urbana pequena, desenvolvimento industrial praticamente inexistente, pouquíssimas escolas.

1847 – primeira escola para professores no Brasil.

Quem vai para escola passa por um critério de nível.
Começa uma fase de eugenia: a busca das melhores pessoas, pessoas com melhores formações.
Até então, as pessoas com deficiência, de alguma forma, estavam inseridas no contexto social, no cotidiano do grupo social.

Mas, dentro do processo de crescimento da psicologia e por uma influência do momento ideológico e político da época, a avaliação da inteligência passa a considerar quantitativamente, distinguindo níveis de inteligência: a escola passa a pensar na avaliação de conhecimento, identifica uma série de anormalidades, seleciona os alunos que são considerados anormais, faz classes para os anormais (dizendo inclusive quais são anormais completos e quais são anormais incompletos, cabendo a esses últimos o direito de frequentar a escola, enquanto que os primeiros teriam a “isenção” de matrícula), configurando assim uma educação diferenciada, emendativa, apenas para trazer alguns elementos para essa população.
1920 - A educação é de fato para poucos: 41 de 1000 crianças frequentavam ensino primário.
Década de 40: ainda são poucos os que frequentam a escola; 50% da população era analfabeta (muitas poucas escolas e maioria absoluta com baixa qualidade – poucos completavam).
Gradualmente, começa um investimento na educação: associa-se formação do ser humano com a produção (trabalho) e crescimento do país.
Nesse contexto, a educação passa a ser discutida (reforma educacional, conferências nacionais... e na própria Constituição Federal de 34 a educação passa a ser gratuita e obrigatória para a população).
Paralelo a isso, as pessoas com NE reivindicam um lugar junto a educação: vai se constituindo todo um conjunto de instrumentalizações e instituições que pudessem atender e dar alguma substância para a educação dessa população. Esse percurso ainda segue como um ensino emendativo: diferenciado e para dar apenas alguns elementos para as pessoas com NE.
Pós-guerra: passa-se a discutir a questão dos Direitos Humanos.
Vários grupos de pessoas com NE passam a se organizar: passa a existir formação para professores.
Nas próximas décadas, ainda dentro da discussão dos Direitos Humanos, toma força a discussão sobre o direito da criança e é pensada dentro de um contexto sócio—ideológico em que a educação é valorizada para se garantir a ordem, o progresso e o desenvolvimento.
Isso implica que se passa a ter obrigatoriedade de ensino e passa-se a pensar nos direitos dos excepcionais: um tratamento específico para cada uma das pessoas com NEE (pesquisa, material de ensino, currículos, diagnósticos, planejamento, formação, treinamento e aperfeiçoamento). Mas nada disso está vinculado ao Ministério da Educação.
1988 – Constituição Federal: vários artigos que tratam da deficiência tanto referente ao ensino, trabalho, lazer etc. de pessoas com NE.
1991 – Centro Nacional de Educação Especial passa a ser mais ligado ao campo da educação. Finalmente passa a haver um entrelaçamento entre Educação e Educação Especial.
1994 - Declaração de Salamanca (Espanha): reunião para poder discutir estruturas de ações que levassem a uma equalização de oportunidades para pessoas com deficiência. Reforça o direito a educação para todos. A pedagogia passa a ser centrada na pessoa.
A declaração de Salamanca não propõe uma reforma técnica, mas uma busca de compromisso e disposição pela mudança de paradigma na educação, no exercício dos direitos humanos.
Brasil – uma série de resoluções, diretrizes, construções de políticas para pessoas com NE.

Vídeo-aula 7: Crianças e jovens com necessidades especiais na escola – dialética da inclusão / exclusão: - katia amorim


Analisar e discutir dificuldades de desempenho das premissas éticas propostas pela constituição, LDB e outros documentos, em função de dificuldades de organização institucionais e dos próprios valores e preconceitos.



O processo de inclusão escolar é controverso, é tenso, cheio de contradições e com diferentes perspectivas.
A complexidade nos processos de inclusão escolar: entender que existem diversas perspectivas, atores, instituições, elementos históricos e culturais que se entrelaçam.
Para a vídeo aula, serão analisados quatro pontos de vista: o ponto de vista dos familiares, o ponto de vista da coordenação/ direção da escola, ponto de vista do professor, ponto de vista do aluno: alguns em conjunção, alguns em conflitos, como isso se reflete na prática, no cotidiano das crianças?
A deficiência, que é uma parte da vida da criança, passa a ser o todo. A criança passa a ser vista como inteiramente deficiente. A criança entra na escola, mas está excluída dentro da escolar.
Essas crianças entram na escola sem que o próprio professor saiba que vai receber um aluno com NEE. Somente com o tempo a criança é vista, considerada.
“Essa situação tem sido lidada de uma maneira muito difícil pelo corpo escolar”. “As crianças vão sendo desaparecidas no meio das outras”. É uma inserção de uma maneira excludente.
A inserção destes alunos nas classes regulares, por si só, não garantem uma prática inclusiva de ensino.
O aluno vai sendo visto como de baixo rendimento escolar, como quem não tem condições de avançar.
Mudança de foco: do foco unilateral no sujeito (criança diferente e com NEE) para o foco na relação professor-aluno. Passamos, então, a pensar no ensino-aprendizagem: reciprocidade, mutualidade e bi-direcionalidade. Um ajuda a constituir o papel do outro.
O professor, em geral, tem dificuldades para lidar com a criança com NEE: falta de preparo, preconceitos, desamparo, desmotivação...
Isso demonstra um contraste um conflito em nossa realidade brasileira uma vez que o momento histórico demonstra a importância da inclusão efetiva e eficaz.



Não se trata de um problema específico do professor. Mas reflete em sua ação.

Vídeo-aula 4: Ética e Saúde na escola - Lúcia Tinós

Definir “alunos com necessidades educacionais especiais”. Afunilar esse grupo em função de especificidades relacionadas ao campo da saúde – as deficiências, os transtornos e as síndromes.



Objetivos da vídeo-aula:
  • definir e discutir “alunos com necessidades educativas especiais”;
  • afunilar e especificar os alunos relacionados ao campo da saúde – deficiência, transtorno e alguns quadros;
  • Especificar os alunos com necessidades “educativas especiais”.

Primeiro momento de reflexão:
O que significa, para você, receber a notícia de que você irá trabalhar com um aluno com necessidades especiais?
Qual é o nosso/ seu “olhar” para esse termo e aluno?
Quais seriam as suas necessidade3s enquanto professor.

Necessidade Educativas Especiais: o que significa?
Você saberia dizer se possui alunos com NEE em sua sala de aula?
Quais as necessidades especiais?
Quais são os alunos que se encaixam nessa definição de ter necessidades “educativas” especiais?

O termo NEE aparece pela primeira vez, no Reino Unido, em 1078.
No Brasil, o termo NEE surge após a Conferência Mundial de Educação Especial em 1994 (Salamanca).

Salamanca define quem tem NEE como:
as crianças e jovens
  • de rua e que trabalham;
  • de origem remota ou de população nômade;
  • pertencentes a minorias linguísticas, étnicas ou culturais;
  • de grupos desavantajados ou marginalizados;
  • deficientes e super-dotados.

Segundo momento de reflexão:
Será que a amplitude do termo NEE pode ser gerador de ambiguidades e, principalmente, de ações discriminatórias?
Existe diferença entre NEE e diversidade?

É importante conhecer a terminologia, mas é importante tomar cuidado com o modismo dos termos. É importante conhecer em que contexto a terminologia foi criada e como ela pode ajudar o professor.
____________________________________________________
A professora considera o termo muito abrangente e que que não nos ajuda a pensar.
No entanto, é necessário sim que a escola pense na necessidades especiais da criança de rua, da criança que trabalha, da criança estrangeira, da criança de minoria linguística... pois essas crianças, em sala de aula, aparecem em número semelhante aos das crianças com NEE relacionadas a questões de saúde e são discriminadas em sala de aula, por colegas e professores, de forma muito semelhante.
_____________________________________________________

No Brasil, o Decreto 3.298 de 1999, define as seguintes categorias em relação às NEE:
  • deficiência física;
  • - deficiência auditiva;
  • deficiência visual;
  • deficiência mental;
  • deficiência múltipla.
Ou seja, ligadas à área médica e definidas através de exames.

As definições e os diagnósticos são importantes para o planejamento pedagógico.
É necessário tomar cuidado para não estigmatizar o aluno. As pessoas são singulares e não podem ser definidas por uma terminologia.
O aluno é da escola e não do professor. O trabalho deve ser coletivo.


Vídeo-aula 3: Ética e valores na ação educativa - Kátia Amorim

Retomar pontos sobre ética e valores, estudados nos dois primeiros módulos. A meta será direcionar a discussão desses pontos considerando-os em relação à formação e valores dos professores.



Retomando as aulas iniciais do curso:
HISTÓRIA DA ESCOLA: a quem que se destina?
Primeira revolução: educação para grupos diferenciados; educação de modo individualizado, por preceptor.
Segunda revolução: educação é responsabilidade do Estado e pública, mas ainda é restrita a certas camadas; professor com vários alunos. Existia uma homogenização do alunado (homens, brancos, de uma restrita camada social) / legitimação da exclusão.
Naturalização cultural: a quem cabe ir a escola? Como ensinar?
Terceira revolução: universalização do acesso à educação: diversas camadas sociais, diversidade (sexo, raça/etnia, religiões, grupos sociais, pessoas com necessidades educacionais especiais), legitimação do direito.


Quem deve ir a escola?
Além da legislação e de decretos, é necessário modificar no cotidiano as noções já impregnadas na sociedade.
Como fazer quando a educação implica em novas e não conhecidas bases e, mesmo, em desconhecidos recursos e tecnologias?
Como é ser professor nessas condições?

E isso fica mais complexo enquanto vai existindo toda uma legislação para que a educação seja inclusive uma instância privilegiada para se evitar e corrigir práticas intolerantes e que vá aumentar o respeito e a solidariedade.

Há ainda, na escola, a questão da empatia com o outro: o outro como fonte de todo mal, sujeito de uma marca cultural (essencializado em sua diferença), alguém a tolerar (que acaba sendo menosprezado). Será que nós educadores conseguimos ensinar sobre o outro, sem torná-lo exótico? (Daniela Kowalewski)

Como lidar, conviver e ensinar aqueles que a sociedade tradicionalmente considerou como devendo ser excluídos da escola?
Como ensinar os outros alunos a respeitá-los?
Como vamos atuar se nós professores carregamos concepções sociais que implicam na dificuldade de conviver com o diferente?


É necessário fazer um trabalho intencional com valores: alunos alunos → ética e cidadania.
Relações interpessoais: afetividade/ valor (aquilo de que eu gosto...)
Qual é a afetividade que o professor tem em relação à criança/ ao jovem diferente, deficiente?

REFLEXÃO
A bagagem do professor pode não coincidir com perspectivas da educação: isso pode criar confrontos e conflitos.
complexidade: múltiplos significados e discursos → encontro e o confronto entre conhecimentos e valores → o conflito é inerente, como lidar com ele?
Trabalho intencional com valores: alunos ↔ ética e cidadania.
Quais os significados que você tem sobre “aluno regular”, “escola”, “educação”, “diferença”, “doença”, “deficiência” etc.? Qual o lugar de cada uma das pessoas dentro da escola?
É necessário que o professor tenha clareza desses significados e de seus sentimentos.

“Ensinamos mais pelas nossas ações e exemplos. As ações são as que dão o ser ao pregador.” (José Sérgio Carvalho)

O risco é que exista uma inclusão perversa: a criança, dentro da sala de aula, excluída da convivência e do aprendizado.
O que pode ser feito: colocar-se no lugar do outro, humildade (conhecer a si e ao processo da criança e a história), parecerias (com quem posso discutir e fazer alguma coisa?).