Vídeo-aula 19: O todo pela parte


A questão ética, os valores e os preconceitos: relação professor - aluno e o estigma. Buscando quebrar certezas!



Características individuais que possuímos que podem ser exaltadas ou não, a depender da circunstância, a depender da situação. Cada um de nós possuímos características de que nós mesmo gostamos ou não e nós também podemos admirar em outras pessoas algumas características e não gostar de outras;
Podemos aprender com outras pessoas;
Há alguns atributos que são mais valorizados em detrimento de outros;

“Estigma: situação do indivíduo que está inabilitado para aceitação social plena.” GOFFMAN
Essa questão do estigma, segundo o que foi dito acima, depende também do outro: uma pessoa pode ter um atributo depreciativo, não desejado pela sociedade, mas ele só vai se tornar um estigmatizado se não for totalmente aceito pelo outro.

“Um indivíduo que poderia ter sido facilmente recebido na relação social, possui um traço que pode impor à atenção e afastar aqueles que ele encontra, destruindo a possibilidade de atenção para outros atributos seus.” GOFFMAN
Ou seja, o estigma tem o poder de fazer com que a pessoa não enxergue outros atributos em alguém além do estigma.

“O que é preciso é uma linguagem de relações e não de atributos.” GOFFMAN
Ou seja, é preciso tirar o foco da pessoa com deficiência e passar esse foco para a relação com a pessoa com deficiência.

“Um atributo que estigmatiza alguém pode confirmar a normalidade de outrem , ele não é em si mesmo, nem honroso nem desonroso.” GOFFMAN

“Diferenciar estigmatizado desacreditado de desacreditável.” GOFFMAN
Desacreditado – é aquele que tem uma características distintiva evidente.
Desacreditável – o estigma não é imediatamente perceptível. Há um tempo para que seja estabelecida uma relação e é possível enxergar a pessoa além da deficiência.
Articulação com a vida escolar: a relação professor-aluno pode-se dar de uma maneira diferente nesses dois casos. O ideal que que, em ambos os casos, consigamos ver além da deficiência.

“Tendemos a inferir uma série de imperfeições a partir da imperfeição original.” GOFFMAN
Pode-se, ainda, generalizar a deficiência. Só porque a criança tem uma deficiência, supor que ela tem outras limitações.
Ou pegar o todo pela parte. Como se todas as imperfeições da criança fossem fruto de sua deficiência.



No encontro com o dito “normal”, a pessoa estigmatizada, com deficiência, pode se sentir “em exibição”: os menores atos podem se tornar sinais de atos notáveis ou ainda erros menores ou enganos incidentais serem interpretados como uma expressão direta de seu atributo diferencial estigmatizado (como foi dito acima).

O que se percebe é que quanto maiores as desvantagens da criança, mais provável que ela seja enviada a uma escola especial, afinal, acredita-se que ela ficará mais protegida junto a “seus iguais”.
Na verdade, essas experiências com os ditos “normais” aumentam o seu repertório de situações vividas com os ditos normais: ajuda na resolução de problemas e enfrentamento de situações constrangedoras.
O mundo dela não é só de pessoas com deficiência, mas também de pessoas sem deficiências.

Todas essas concepções e essa forma de agir com a criança justifica-se historicamente. Essas crianças, em algumas sociedades, chegaram inclusive a serem mortas. Apenas há alguns anos essa proposta da inclusão ganhou força.
Modelo da saúde ainda é forte – foca na deficiência: problema existente exclusivamente na pessoa com deficiência. Visa a normalização do deficiente. Não se expande a questão para a relação, para o social.
A terminologia, a maneira como nos referimos a essas pessoas, influencia as práticas (principalmente dentro de uma escola).
Ambiente escolar, mais sério, somos modelo para as crianças.

O principal na questão do estigma é trazê-lo para o campo relacional e, quando encontrarmos uma criança com deficiência, quebrar as nossas certezas e enxergar a criança além de sua deficiência.

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