A questão ética, os valores e os preconceitos: relação professor - aluno e o estigma. Buscando quebrar certezas!
Características
individuais que possuímos que podem ser exaltadas ou não, a
depender da circunstância, a depender da situação. Cada um de nós
possuímos características de que nós mesmo gostamos ou não e nós
também podemos admirar em outras pessoas algumas características e
não gostar de outras;
Podemos aprender com
outras pessoas;
Há alguns atributos
que são mais valorizados em detrimento de outros;
“Estigma: situação
do indivíduo que está inabilitado para aceitação social plena.”
GOFFMAN
Essa questão do
estigma, segundo o que foi dito acima, depende também do outro: uma
pessoa pode ter um atributo depreciativo, não desejado pela
sociedade, mas ele só vai se tornar um estigmatizado se não for
totalmente aceito pelo outro.
“Um indivíduo que
poderia ter sido facilmente recebido na relação social, possui um
traço que pode impor à atenção e afastar aqueles que ele
encontra, destruindo a possibilidade de atenção para outros
atributos seus.” GOFFMAN
Ou seja, o estigma tem
o poder de fazer com que a pessoa não enxergue outros atributos em
alguém além do estigma.
“O que é preciso é
uma linguagem de relações e não de atributos.” GOFFMAN
Ou seja, é preciso
tirar o foco da pessoa com deficiência e passar esse foco para a
relação com a pessoa com deficiência.
“Um atributo que
estigmatiza alguém pode confirmar a normalidade de outrem , ele não
é em si mesmo, nem honroso nem desonroso.” GOFFMAN
“Diferenciar
estigmatizado desacreditado de desacreditável.” GOFFMAN
Desacreditado – é
aquele que tem uma características distintiva evidente.
Desacreditável – o
estigma não é imediatamente perceptível. Há um tempo para que
seja estabelecida uma relação e é possível enxergar a pessoa além
da deficiência.
Articulação com a
vida escolar: a relação professor-aluno pode-se dar de uma maneira
diferente nesses dois casos. O ideal que que, em ambos os casos,
consigamos ver além da deficiência.
“Tendemos a inferir
uma série de imperfeições a partir da imperfeição original.”
GOFFMAN
Pode-se, ainda,
generalizar a deficiência. Só porque a criança tem uma
deficiência, supor que ela tem outras limitações.
Ou pegar o todo pela
parte. Como se todas as imperfeições da criança fossem fruto de
sua deficiência.
No encontro com o dito
“normal”, a pessoa estigmatizada, com deficiência, pode se
sentir “em exibição”: os menores atos podem se tornar sinais de
atos notáveis ou ainda erros menores ou enganos incidentais serem
interpretados como uma expressão direta de seu atributo diferencial
estigmatizado (como foi dito acima).
O que se percebe é que
quanto maiores as desvantagens da criança, mais provável que ela
seja enviada a uma escola especial, afinal, acredita-se que ela
ficará mais protegida junto a “seus iguais”.
Na verdade, essas
experiências com os ditos “normais” aumentam o seu repertório
de situações vividas com os ditos normais: ajuda na resolução de
problemas e enfrentamento de situações constrangedoras.
O mundo dela não é só
de pessoas com deficiência, mas também de pessoas sem deficiências.
Todas essas concepções
e essa forma de agir com a criança justifica-se historicamente.
Essas crianças, em algumas sociedades, chegaram inclusive a serem
mortas. Apenas há alguns anos essa proposta da inclusão ganhou
força.
Modelo da saúde ainda
é forte – foca na deficiência: problema existente exclusivamente
na pessoa com deficiência. Visa a normalização do deficiente. Não
se expande a questão para a relação, para o social.
A terminologia, a
maneira como nos referimos a essas pessoas, influencia as práticas
(principalmente dentro de uma escola).
Ambiente escolar, mais
sério, somos modelo para as crianças.
O principal na questão
do estigma é trazê-lo para o campo relacional e, quando
encontrarmos uma criança com deficiência, quebrar as nossas
certezas e enxergar a criança além de sua deficiência.
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