Desenvolvimento de pessoas com necessidades especiais – a questão da plasticidade neurológica em sua intrínseca relação com o papel do meio.
A complexidade do
desenvolvimento e a educação de pessoas com NE: como a educação
vem sendo discutida?
A educação,
historicamente vem sendo baseada em alguns paradigmas bastante
específicos e que pressupõe que o desenvolvimento das pessoas se dá
de maneira igual. O professor espera que todos entendam da mesma
maneira, simultaneamente, e completem o conhecimento em tempos
próximos. Espera-se que haja uma regularidade e uma linearidade dos
processos de aprendizagem. E o aluno que não acompanha é visto como
aquele que é diferente, comprometido, deficitário, deficiente. A
questão da deficiência, dentro desse modelo, que espera uma
regularidade, implica em um ferimento, em uma ruptura com princípios
básicos da educação e que levam ao um processo de ensino e
aprendizagem comprometido, uma relação enter professor e aluno
dificultada e inclusive impedindo o aprendizado e a relação do
aluno dentro da sala de aula.
E como se espera uma
regularidade e uma linearidade no desenvolvimento e uma regularidade
e uma linearidade na aprendizagem, a imagem da criança desaparece e
fica a imagem negativa de uma criança que não tem alguma coisa, a
impressão é de que não adianta investimento.
Mas, se pensarmos nessa
noção de regularidade, linearidade e a expectativa de que todos
façam igual e ao mesmo tempo, percebemos que ela fere na verdade
noções de desenvolvimento e aprendizagem que consideram a
complexidade. Essa complexidade tem que ser considerada para poder
ser trabalhada com os alunos de forma produtiva.
A sensação da
dificuldade é minimizada em algumas situações, por exemplo, como é
amenizado, em alguma medida, em deficiências sensoriais pelo uso de
recursos tecnológicos e profissionais (braille, para crianças e
jovens cegos; amplificadores visuais para crianças e jovens com
baixa visão; a LIBRAS para alunos surdos; os aprelhos auditivos para
aqueles que não chegam a ser surdos; cadeiras, computadores que
ajudam a criança com deficiência física). Ou seja, para as
deficiências sensoriais, estar em sala de aula, tendo recursos
alternativos, a possibilidade de aprendizado é mais provável.
Mas e aqueles que têm
deficiência intelectual? O professor vai se perguntar se é possível
ensinar alguma coisa, se acriança ganha alguma coisa além da
socialização.
A socialização foi
reconhecida como um dos grandes méritos do processod e inclusão,
mas existem coisas além que podem ser aprendidas?
É possível dizer
“sim” ou “não” sem uma tentativa?
É preciso investir no
desenvolvimento da criança.
É preciso deixar
certos paradigmas e investir em um ensino recuperando a complexidade
humana e a complexidade dos processos desenvolvimentais humanos.
A plasticidade
cerebral: uma propriedade que sistema nervoso tem que permite o
desenvolvimento de alterações estruturais e funcionais: capacidade
adaptativa. O potencial para recuperação funcional depende de
inúmeros fatores: idade do indivíduo, local e tempo da lesão,
natureza da lesão.
É necessário conhecer
a criança: quais as áreas afetadas? Como potencializá-las? Quais
habilidades?
É preciso reconhecer
que as crianças possuem dificuldades e facilidades diferentes.
Saber o diagnóstico
não é atribuir um diagnóstico que dê o lado negativo ou para
justificar a negação da aprendizagem, mas sim saber quais são as
características e decidir como trabalhar de forma a respeitar a
criança e possibilitar que a plasticidade dê conta dessas questões.
Por que o comportamento
equivale ao comportamento de crianças mais novas, não deve ser
valorizado? Não vale investir nessa criança? Se não vale a pena,
qual critério está sendo usado? A criança em si não é
considerada? O investimento é fundamental.
O papel do professor,
em parceria com a família, é de mediação. É necessário
identificar dificuldade, habilidade e potencialidades. Ninguém pode
prever limitações de desenvolvimento por antecipação. É
necessário investir para conhecer o limite. Não se trata de negar
dificuldades, mas reconhecer as alterações do quadro.
Colocam-se assim,
questões centrais para o professor relacionadas à qualidade,
duração e modo de trabalho.

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