Vídeo-aula 23: A educação de pessoas com necessidades especiais é de fato ineficaz? - Kátia Amorim

Desenvolvimento de pessoas com necessidades especiais – a questão da plasticidade neurológica em sua intrínseca relação com o papel do meio.



A complexidade do desenvolvimento e a educação de pessoas com NE: como a educação vem sendo discutida?
A educação, historicamente vem sendo baseada em alguns paradigmas bastante específicos e que pressupõe que o desenvolvimento das pessoas se dá de maneira igual. O professor espera que todos entendam da mesma maneira, simultaneamente, e completem o conhecimento em tempos próximos. Espera-se que haja uma regularidade e uma linearidade dos processos de aprendizagem. E o aluno que não acompanha é visto como aquele que é diferente, comprometido, deficitário, deficiente. A questão da deficiência, dentro desse modelo, que espera uma regularidade, implica em um ferimento, em uma ruptura com princípios básicos da educação e que levam ao um processo de ensino e aprendizagem comprometido, uma relação enter professor e aluno dificultada e inclusive impedindo o aprendizado e a relação do aluno dentro da sala de aula.
E como se espera uma regularidade e uma linearidade no desenvolvimento e uma regularidade e uma linearidade na aprendizagem, a imagem da criança desaparece e fica a imagem negativa de uma criança que não tem alguma coisa, a impressão é de que não adianta investimento.
Mas, se pensarmos nessa noção de regularidade, linearidade e a expectativa de que todos façam igual e ao mesmo tempo, percebemos que ela fere na verdade noções de desenvolvimento e aprendizagem que consideram a complexidade. Essa complexidade tem que ser considerada para poder ser trabalhada com os alunos de forma produtiva.
A sensação da dificuldade é minimizada em algumas situações, por exemplo, como é amenizado, em alguma medida, em deficiências sensoriais pelo uso de recursos tecnológicos e profissionais (braille, para crianças e jovens cegos; amplificadores visuais para crianças e jovens com baixa visão; a LIBRAS para alunos surdos; os aprelhos auditivos para aqueles que não chegam a ser surdos; cadeiras, computadores que ajudam a criança com deficiência física). Ou seja, para as deficiências sensoriais, estar em sala de aula, tendo recursos alternativos, a possibilidade de aprendizado é mais provável.
Mas e aqueles que têm deficiência intelectual? O professor vai se perguntar se é possível ensinar alguma coisa, se acriança ganha alguma coisa além da socialização.
A socialização foi reconhecida como um dos grandes méritos do processod e inclusão, mas existem coisas além que podem ser aprendidas?
É possível dizer “sim” ou “não” sem uma tentativa?
É preciso investir no desenvolvimento da criança.
É preciso deixar certos paradigmas e investir em um ensino recuperando a complexidade humana e a complexidade dos processos desenvolvimentais humanos.



A plasticidade cerebral: uma propriedade que sistema nervoso tem que permite o desenvolvimento de alterações estruturais e funcionais: capacidade adaptativa. O potencial para recuperação funcional depende de inúmeros fatores: idade do indivíduo, local e tempo da lesão, natureza da lesão.
É necessário conhecer a criança: quais as áreas afetadas? Como potencializá-las? Quais habilidades?
É preciso reconhecer que as crianças possuem dificuldades e facilidades diferentes.
Saber o diagnóstico não é atribuir um diagnóstico que dê o lado negativo ou para justificar a negação da aprendizagem, mas sim saber quais são as características e decidir como trabalhar de forma a respeitar a criança e possibilitar que a plasticidade dê conta dessas questões.
Por que o comportamento equivale ao comportamento de crianças mais novas, não deve ser valorizado? Não vale investir nessa criança? Se não vale a pena, qual critério está sendo usado? A criança em si não é considerada? O investimento é fundamental.
O papel do professor, em parceria com a família, é de mediação. É necessário identificar dificuldade, habilidade e potencialidades. Ninguém pode prever limitações de desenvolvimento por antecipação. É necessário investir para conhecer o limite. Não se trata de negar dificuldades, mas reconhecer as alterações do quadro.
Colocam-se assim, questões centrais para o professor relacionadas à qualidade, duração e modo de trabalho.

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